Vida natural

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Tapuias, tribo mantida por familiares de pescadores da Redinha, encontra dificuldades manter a tradição

O cacique Valdir, dona Francisca e família consertam cocares
A família que mantém a tradição é formada por pessoas de baixíssimo poder aquisitivo, vivendo de pesca, e pequenos serviços. Bastantes simples, ela encontra muita dificuldade em manter a tradição. Isto só é possível graças ao empenho do cacique Valdir e sua esposa dona Francisca.
Assim, a única forma que o casal encontra para manter Os Tapuias desfilando nos carnavais é a ajuda de custo que eles recebem da Fundação José Augusto e doações de pessoas que compõem a tribo. Mas, não é fácil, em vista de que muitos deles também não tem empregos.
O cacique Valmir disse que para este ano, a situação ficou muito difícil, pois a verba pública ainda não saiu, devido o não pagamento da outra gestão. Como ele guardou o material do ano passado, eles estão recuperando algumas peças parcialmente destruídas. "Mas falta muita coisa, pois tem integrante da tribo que não quer devolver a peça no final do desfile, e como eles não tem cuidado, quando chega no desfile do ano seguinte está destruído e a gente tem de fazer tudo novamente", lamenta. Sem verba, o cacique tem tirado do próprio bolso dinheiro para comprar material. "É muito caro, outro dia comprei R$ 70,00 de penas e era um pouquinho, que não deu para fazer quase nada, mas era tudo que tinha em dinheiro", explica. O cacique também acrescentou que os tempos mudaram, e que antigamente este material era adquirido nas casas, pois era fácil arranjar penas de galinhas, guinés e pavão na comunidade. Ele lembra que agora é tudo comprado, e tem pena que o quilo chega a custar até R$ 900,00. Durante a entrevista, o cacique ainda mostrou que faltava até cola para consertar os cocar e também elásticos, que são usados para prendê-los a cabeça.
DOAÇÕES. Em vista da dificuldade que passa esta tribo, deixou o telefone do cacique Valdir para quem queira contribuir com esta tradição entrar em contato com ele: (084) 8737-9097.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Mesmo faltando 15 dias para o início do carnaval, ensaios das bandinhas de frevo dão o tom da folia na Redinha

Músicos do Baiacu. Cristina e Marcelo em destaque
Mesmo faltando 15 dias para o início da folia, pelo menos três focos de folia já podem ser encontrado na Redinha todas as noites a partir das 19h. Um na rua do Cruzeiro, com  ensaio da tradicional bandinha do Baiacu na Vara, outro na Nana, com a a orquestra de sopro do mestre Roberto e, o terceiro, na Rua Beberibe, onde os índios Tapuius preparam seu desfile ritualístico recontando a história do ritual dos nativos brasileiro.
Na praça do Cruzeiro, já se pode verificar uma boa movimentação de gente, vendedores ambulantes e jornalistas que vem acompanhar os ensaios do tradicional bloco da Redinha.
Mesmo faltando acertar alguns detalhes, a fundadora do bloco, Cristina Medeiros adiantou que o Baiacu vai sair verdinha e amarelo, em homenagem a Copa do Mundo, que acontece no Brasil e Natal é uma das cidades sedes. Cristina Medeiros é a que está em destaque, ao lado do maestro Marcelo.
O Baiacu na Vara é um bloco que esbanja simpatia e agrega foliões da Redinha, mas também de outras cidades e Estados. Como o desfile acontece na quarta-feira, muita gente que brincou em outros estados, vai curar a ressaca no Baiacu. A concentração do bloco acontece às 8h e sai às 10h. 
O Baiacu na Vara surgiu num desafio de Cristina, ainda adolescente, com o seu pai.  Cristina disse que botaria um bloco na quarta-feira. A foliã lembra que manhã, seu pai me acordou e em tom de deboche perguntou: "Cadê seu bloco?" Numa resposta de menina bicuda, Sem a foliã pegou um lençol de cama e saiu desfilando pela praia. Alguns amigos foliões a seguira. muitos gostaram da brincadeira. No ano seguinte surgia o Baiacu na Vara. Atualmente o bloco arrasta uma multidão adiou o final na quarta-feira.
Na Rua Beberibe, a tribo guiada pelo casal Valdir e Francisca ensaiam para a apresentação na Duque de Caxias e a tradicional saída na terça-feira, às 15h. Os Tapuius dão uma volta nas principais ruas da África, Redinha Nova e Velha. Dão uma parada no Mercado da Redinha, onde rendem homenagem a dona Dalila, uma nativa que os anos 50 inventou uma iguaria baseada na comida dos índios nativos da Redinha: a ginga com tapioca. O peixe com tapioca conquistou o paladar dos moradores e até de ilustres brasileiros, como  Câmara Cascudo e Jorge Amado.
Depois da homenagem a dona Dalila, os Tapuius retornam para a Rua Beberibe, onde realizam o ritual do sacrifício do guerreiro capturado. 

Mestre Roberto prepara seus músicos para puxarem blocos e troças no carnaval da Redinha

Ensaios estão acontecendo a partir das 19h no Nana Banana
No Nana Banana, os músicos regidos pelo mestre Roberto, do Acupe ensaiam desde o início do mês. A orquestra de sopro vai puxar os diversos blocos e troças que vão desfilar pela Redinha durante os festejos carnavalescos.
Na Redinha, se mantém a tradição de um carnaval puxado pelas bandinhas de sopro tocando marchinhas e frevo. O estilo musical é uma alternativa, em vista das ruas estreitas, o que impossibilita o tráfego de trios elétricos.
Além dos blocos tradicionais como Baiacu na Vara, Raparigas, Camburão, nos dias de carnaval na Redinha outros blocos populares vem se agregando. Mas, o ponto alto é o Baiacu na Vara na quarta-feira, em vista o bloco congrega também pessoas que participaram de outros carnavais, até do Recife, e foliões que estavam em cidades do RN como Macau, Gramoré e Areia Branca. Na quarta, estes foliões vem se somar aos da Redinha.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Na rua soldado Luiz Gonzaga já se vive clima de carnaval com os ensaios da bateria da Malandros do Samba

Escola aposta nas crianças para eternizar o samba nas Rocas
Além da rua Mestre Lucarino, a soldados do Luiz Gonzaga é outro foco de folia no mês de fevereiro. Nesta rua das Rocas, está a sede da Escola Malandros do Samba, a escola, que ao lado da Balanço do Morro, garantem a folia no bairro da zona leste de Natal.
A folia começa cedo, por volta das 19h, momento em que seus 900 integrantes começam a chegar de uma jornada de trabalho. Aos primeiros sons da bateria, começam a chegar também populares, até que o som se torna contagiante. São pessoas de terceira idade, jovens e crianças. Os ensaios estão acontecendo em todos os dias da semana.
O fato é que a Malandro do Samba vem passando por um momento muito importante em sua história. No ano passado, a escola conseguiu realizar um grande sonho, que era a recuperação de sua sede na rua soldado Luiz Gonzaga.  A diretoria realizou uma campanha com seus associados e conseguiu, ao longo do ano arrecadar R$ 30 mil, verba suficiente para reconstruir todo o prédio, que até então estava em ruinas, inclusive com a energia elétrica cortada. Além dos tradicionais ensaios em dias que antecedem o carnaval, a escola também promove uma série de eventos culturais durante o ano.



Trabalho no barracão se estende pela madrugada porquê Malandros do Samba quer o pentacamepeonato em 2014

São 22h de 2ª feira e trabalha no barracão da Malandros
A tetracampeão Malandros do Samba quer o penta em 2014. Para isto, os integrantes da escola das Rocas vem trabalhando duro desde o início do mês. Eram 22h da segunda-feira (10), quando a reportagem visitou um dos galpões da escola, a parte de adereços e fantasias, e seus integrantes estavam trabalhando arduamente.
A Malandros promete ir para Duque de Caxias com um carnaval arrojado e que tem uma proposta de homenagear a copa, sem esquecer as tradições do Nordeste, e de quebra, mostrar que corre nas veias deste povo, também uma grande paixão pelo samba.
De samba, quem acompanha o carnaval potiguar sabe muito bem que a Malandro entende do assunto. Mas, de tradição nordestina? A direção da escola que é presidida por Lailson Paulo do Nascimento, sabiamente foi buscar neste seguimento no RN: as quadrilhas juninas de Natal, entre elas, a "Coração Matuto", de Mãe Luíza.
Assim, falando de copa do mundo, festejos juninos e samba, a Malandro do Samba vai entrar na Duque de Caxias, com 900 integrantes, divididos em 17 alas (para contar este enredo de tirar o fôlego). Destas forma, os carnavalescos Paulo Pedrosa e José Francisco, vai trabalhar o samba enredo de Eri e Evilásio, com o tema: "No voo da asa branca, as raízes e as tradições da copa do mundo, em um estado do Nordeste, Malandros do Samba faz pulsar estas emoções".

Aos 56 anos de fundação, Malandros não surgiu na mesa de um botequim, mas na porta de igreja católica nas Rocas

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Malandros do Samba, é outra escola que não deixa o samba morrer no bairro das Rocas. 
Em seus 56 anos de existência, os Malandros tem um história de conquistas em meio as adversidades que marcam a falta de incentivo ao carnaval popular em Natal.
Malandros tem uma história bonita, quase uma lenda, que contagia o povo das Rocas. A escola envolve velhos, os guardiãs de tradições, jovens e até crianças. Nos ensaios, são crianças que mal parecem poder levantar os instrumentos, mas estão lá, engatinhando no samba, aprendendo com os mais velhos.
O nascimento da Malandro, já tem algo inusitado. Ela não nasceu numa mesa de betoque, mas, pasmem, na porta de uma igreja católica. Diz na capa do site da  escola: "Malandros do Samba foi fundada na porta da Igreja Matriz Sagrada Família (Rocas), em 27 de junho de 1958".. Na calçada da igreja estavam  vários boêmios da noite, entre eles, Aluízio Pereira, Toinho Costureiro, João Bem-Te-Vi e Manoel Farrapo. 
Entretanto, os boêmios tinha algo em comum como samba.Eles integravam blocos carnavalescos. Assim, Os Malandros surgiram  da fusão dos blocos Sainhas, Endiabrados no Samba e Pinto Pelado. Os ícones da Malandro são Antônio Melé - um dos baluartes do carnaval do passado e Joaquim Domingos (ex-presidente), além da madrinha Nazaré.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Balanço do Morro mostra que Natal tem sim carnaval e mantém a tradição do saudoso mestre Lucarino

O samba no pé de Lilian Karla e Roberta Melo da Balanço
Que diz que Natal não tem carnaval é porque nunca foi ao bairro das Rocas no mês de fevereiro. Hoje (10/02), em plena segunda-feira, o samba estava rolando solto na Mestre Lucarino, rua que leva o  nome do expoente do samba potiguar e onde está localizada a sede da Balanço do Morro. A folia aconteceu hoje e vai acontecer todos os dias de segunda a sábado, quando músicos e passistas acertam os últimos detalhes para o desfile das Escolas de Samba na Duque de Caxias.
Além da Balanço do Morro a Malandro do Samba também faz ensaios todos os dias até o carnaval. A Balanço do Morro e o mestre Lucarino são referências no carnaval de Natal.
O G.R.E.S Balanço do Morro foi fundada no ano de 1966, por Lucarino Roberto de Sousa, popularmente conhecido como Mestre Lucarino. Lucarino foi marcante, pois conseguiu colocar o carnaval de Natal como o terceiro carnaval do país (perdendo apenas para o Rio de Janeiro e Olinda). Lucarino é considerado o grande pai dos foliões do Bairro das Rocas, pelo o seu envolvimento pessoal com seus foliões tirando-os das drogas e de qualquer problema familiar.  Lucarino também  movimentou com bravura as noites de Serestas por todo o estado do RN. Ele respirava samba samba e contagiava a todos em qualquer lugar que tenha passado. Compositor exímio de Sambas Enredo, não apenas para a sua Balanço do Morro, mas quem o procurasse.