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Edmilson presidente do Corinthians de Nova Natal |
Imagine se você seria capaz de deixar de ir a uma praia na manhã de domingo, tomar aquela cerveja gelada para comandar uns 20 homens numa partida de futebol, sem ser remunerado por isto? Mas, existe sim pessoas que fazem isto e não se trata de um caso isolado, mas sim, da maioria dos proprietários de equipes de futebol amador.
O mais intrigante nisto tudo, é que eles além de quebrarem a cabeça com seus 20 atletas, geralmente "amigos", é o presidente quem banca tudo, se quiser que sua equipe se mantenha no campeonato. Ou seja, são os responsáveis por toda despesa da equipe, desde camisa, meiões, chuteiras, bola de futebol...E ainda mais, muitos até pagam para que determinados atletas joguem pelo seu clube.
"Não sei te explicar, mas é amor mesmo. Sempre fui ligado ao futebol, joguei em times de Nova Natal e depois fundei um para mim, que é o Corinthians", diz Edmilson que é policial militar.
Muito mais do que a dor de cabeça para administrar a equipe nos dias de jogo, o presidente de um time amador tem de participar semanalmente de reuniões administrativas do Centro Desportivo, acompanhar a disciplinas de seus jogadores, e se eles não estão ilegais na competição como jogar sob suspensão, etc.
Também a questão financeira é outro problema. Existe exemplos de caso de treinadores que findaram fechando empresas. Um deles, de Igapó, era proprietário de uma serraria. Com sonhos de que sua equipe conquistasse a temporada, começou a pagar jogadores profissionais para atuar em sua equipe. Resultado, a serraria estava ameaçada de fechar se não fosse a mulher intervir nos negócios do marido.
Outro exemplo de amor ao futebol aconteceu com o treinador do Náutico do Tirol. Totalmente envolvido nos problemas de sua equipe, ele findou recebendo um ultimato de sua mulher. Mas, não teve jeito,o treinador presidente findou perdendo a esposa e ele enfrentou maus momentos com os amigos apontando de para ele na rua. "Olha o cara trocou a esposa por um monte de macho"!
Estes e outros exemplos somente é compreensível para quem tem um olhar antropológico. Afinal de contas, nada é estranho se olhar de como o indivíduo se comporta dentro de um grupo social. É o conceito de "estranhamente" do antropólogo La Platine, onde a cultura do outro parece estranha, mas que ao acompanhá-la de perto, é tão semelhante quanto a minha. Não se tendo esta visão, apenas o sujeito olha para o outro com ar de negação, mas não se reconhece com atitudes muito semelhantes.