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Réplica de um navio negreiro feito por mestre Arrepio e alunos |
O Memorial, que além de manter viva a presença dos negros Brasil, tem um objetivo particular, que é auxiliar os estudantes do RN no conhecimento da história do país. Assim, ele é uma é aula viva, onde o estudante visitante vai respirar em cada canto do museu cenas da presença africana em solo brasileiro.
Depois de cruzar o portão de entrada do museu, o visitante depara com um grande salão de eventos. Ao seu redor, exposição de quadros e fotografias contam os 400 anos de presença negra, do surgimento da capoeira, seu tempo em que foi tido como prática marginal e perseguida pela polícia, seu exercício legal ainda no governo Vargas, até a Lei que reconheceu o esporte como patrimônio cultural brasileiro. Este reconhecimento foi importante para que a capoeira tivesse sua paternidade reconhecida. Ou seja, ela não surgiu na África, mas sim, em território brasileiro. "A capoeira é brasileira, ela surgiu da resistência dos negros a escravidão branca", explica Mestre Arrepio. O mestre explica que mais de 200 países atualmente praticam a capoeira.
Mas, acima deste salão, uma sobre loja. Nela, se encontram maquetes de senzalas, fazendas, os pelourinhos, o cotidiano dos negros no campo e nas cidades. Porém, para chegar até ele, o visitante tem de passar literalmente por dentro de uma réplica, quase tamanho original de um navio negreiro. Este navio é uma obra de arte que impressiona, porém, o mais inusitado é como ele foi feito. Totalmente de material reciclado, pelo próprio mestre Arrepio e seus alunos de capoeira. Detalhe, ninguém é marceneiro. Cada parte do navio tem um pouco da casa de algum familiar de Arrepio ou de seus alunos. "Aquela parte ali do convés, foi feito por uma janelas que minha avó ia jogar fora", aponta o mestre Arrepio.
Outro detalhe do museu é o berimbau na frente do prédio. É um berimbau gigante, que segundo o mestre Arrepio está inscrito para entrar no Guiness Book, o Livro dos Recordes. O museu fica na Avenida principal de Nova Cida, exatamente entre os dois morros, que ate anos passados, ficaram conhecidos pela desova de cadáveres. Exatamente neste local, o mestre Arrepio tem um sonho, que é o de preparar, aqueles meninos de Cidade Nova, que queiram viver da capoeira. "Quero prepará-los para entrarem na Faculdade de Educação Física e continuarem preservando as raízes culturais do Brasil", conclui