Vida natural

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Comunidade das Rocas arregaçam as mangas e botam escolas na avenida em 2015. Somente a Balanço já investiu mais 125 mil

Balanço supera crise e promete muita surpresa hoje
Como o pássaro Feniz da mitologia grega que ressurge das cinzas, os carnavalescos das Rocas provaram que este ano tem sim, carnaval, e a comunidade não mediu esforços para botar suas escolas nas avenidas. O ano de 2014 foi de muita luta, decepção, mas a comunidade aderiu aos apelos dos diretores das escolas Balanço do Morro e Malandros do Samba. Trabalharam noite a fio sem parar, realizaram eventos e contaram até com apelo de carnavalescos do Rio de Janeiro, de que não deixassem o samba das Rocas morrer.

Como este site noticiou no final do ano passado, as alegorias das escolas de samba de Natal estavam jogadas ao relento, sendo destruída pelos efeitos naturais do sol e do vento e também por moradores de ruas que retiravam peças para venderem nas sucatas. As alegorias, que ocupavam barracões ao lado do campinho de futebol do bairro, foram demolidos para que fossem construídos um bloco de apartamentos. Com isto, as alegorias ficaram ao relento.

A Balanço do Morro,  tricampeã potiguar, foi a escola que mais investiu para se manter viva este ano. E, o mais interessante é que parece que a crise ajudou a escola crescer ainda mais. Assim, não se pode dizer que o ano foi ruim, pelo contrário, a crise contribuiu para que a comunidade arregaçasse as mangas e redobrassem sua dedicação. Segundo o vice- presidente da escola Dide, os gastos já ultrapassam os 125 mil, e tudo este dinheiro jamais será recuperado, em vista de que a premiação para a campeã será apenas de R$ 9 mil.  Dide adianta que isto só o amor ao carnaval explicaria tal feito, ainda mais se tratando de uma comunidade tão carente quanto as Rocas.

Carnavalescos e profissionais autônomos fizeram horas extras até alta madrugada para recuperar as alegorias perdidas, entre as quais a água gigante, símbolo da escola. Também foram realizados diversos eventos,como feijoadas, rodas de samba e bingos.

Em solidariedade aos esforços da comunidade das Rocas, o carnavalesco Ze Luis da Império Serrano  vestiu a camisa da Balanço do Morro durante show no Rio em comemoração ao dia do samba, como pode ser visto na Fan Page da Escola.


Quando entrar hoje na avenida (será a última escola a desfilar) a Balanço do Morro vai homenagear o ex-prefeito Djalma Maranhão. Aliás, o barracão da escola serviu para que crianças fossem alfabetizadas, tanto na letra como na música, graças ao empenho do mestre Lucarino.  A escola também vai homenagear  Dosinho carnavalesco que escreveu o tema do projeto de "Pé no chão também se aprende a ler será lembrado no desfile.



Imperatriz traz hoje a avenida a história de 100 anos do "verdão" e bairro do Alecrim

Porta bandeira e mestre sala da Imperatriz Alecrinense
Hoje à noite acontece o tão esperado desfile das escolas de Samba do Grupo "A" de Natal. Na passarela da Duque de Caxias, na Ribeira, vão desfilar seis escolas de samba, e entre elas, a Imperatriz Alecrinense, que neste ano vai homenagear os 100 anos do Alecrim, clube que de futebol que é um dos orgulhos do populoso bairro de Natal. A imperatriz será a quarta escola a entrar na passarela, às 23h.

Com o tema, "Cem anos de verde e branco, o mais valioso tesouro do meu rico Alecrim", o carnavalesco da Imperatriz Alecrinense promete que o desfile vai além de contar a história do tradicional potiguar, mas o centenário bairro de Natal.



O desfile das escolas de samba começa às 20h, com a Asas de Ouro. Em seguida, será a vez da Império do Vale de Ceará Mirim. A Malandro do Samba, grande rival da Balanço do Morro nas Rocas entrar na Avenida. A Imperatriz a quarta escola, e a Ferro e Aço, de Macaíba, escola que subiu no ano passado faz o quinto desfile e para fechar com chave de ouro, nada melhor do Balanço do Morro, a verde e rosa do bairro das Rocas.



Destas forma, a escola irá apresentar ao público as riquezas do comércio, do esporte, através do Alecrim Futebol Clube, da religiosidade, da influência dos americanos no bairro durante a Segunda Guerra Mundial. A escola também vai homenagear o saudoso Djalma Maranhão, com o seu programa de combate ao analfabetismo  no RN: “De pé no chão também se aprende a ler”.


Para contar tudo isto, a Imperatriz Alecrinense entrará na avenida Duque de Caxias,  com 13 alas, quatro carros alegóricos e tripé de comissão de frente que virá com uma grande surpresa. A escola deve sair com 400 componentes”. Enfim, à noite de hoje na Ribeira e Rocas será de grandes atrações, um dia marcante, principalmente para o bairro das Rocas, berço do samba potiguar.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Unidos de Santa Cruz lembra a presença dos negros em solo potiguar

A escola Unidos de Santa Cruz, primeira escola a entrar na avenida neste sábado (14) trouxe como samba enredo, a homenagem a presença dos negros em Natal.

As oito alas lembraram a cultura dos africanos, sendo a religiosidade tema marcante no desfile. Entre os carros alegóricos, um trazia uma mãe de santo sentando numa cadeira real, em frente a Igreja dos Rosário dos Pretos, símbolo da presença africana em Natal.

A frente do carro alegórico, estavam os orixás,, com destaque para Iemanjá, o orixá das águas salgadas, e xangô, que simboliza a guerra e a força que os negros tiveram que retirar para enfrentar os obstáculos em território brasileiro. Aliás, o vermelho, a cor símbolo deste orixá, foi bem marcante na escola, com os membros da bateria trazendo em suas cabeças um lenço rubro.

Antes da entrada da Unidos de Santa Cruz, aconteceu o desfile das tribos de índios: Comache, Apaches, Gaviões Amarelo e Mobralino Mapabu. No grupo B, da escolas de samba, depois da  Unidos de Santa Cruz, desfilaram Água Dourada e Confiança do Samba.

Carnavalesco é criativo e administra bem o pouco recurso humano e financeira da escola

A Unidos de Santa Cruz, fez um belo desfile. Mesmo sendo uma escola pequena, ela seu carnavalesco soube administrar estes recursos. A escola entrou na avenida com oito alas, dois casais de ´porta bandeira, e uma comissão de frente que realizou uma bela coriografia.

A bateria puxada por crianças, foi outro destaque, além da presença do grupo de capoeira Muzenga. O samba enredo foi bom e fácil para que o público cantasse junto com a escola. A ala de baiana também fez boa apresentação, e uma ala de passistas mirins, com criança de quatro anos, roubou a cena na Duque de Caxias.

Sem recursos,tribos indígenas improvisam fantasias e encantam populares na Duqiue de Caxias

Criança exige a flecha dos índios guerreiros potiguares
Quatro tribos de índios, da Chave B, desfilaram na Avenida Duque de Caxias na noite de ontem (sábado), na Ribeira.  Sem recursos e com fantasias confeccionadas e bancadas pelos próprios integrantes das tribos, elas encantaram os populares que se fizeram presente ao evento.

As tribos indígenas, que no passado eram a grande atração do carnaval de Natal, atualmente vivem de trabalhos espontâneos de seus dirigentes fundadores. Entre eles, "Zé Bonitinho", um senhor de São José do Mipibu, da Tribo Mobralino Mapabu.

Nos anos 70, Zé Bonitinho, foi alfabetizado pelo programa governamental denominado "Mobral". Nas aulas de História, seu professor falou de quem habitava as terras onde atualmente está o município de São José de Mipibu. O aluno esforçado se encantou coma história, montou um trabalho em sala de aula, que foi o embrião para o surgimento da tribo carnavalesca.

Moradores da cidade abraçaram a ideia, principalmente vizinhos e ruas e familiares. Assim surgia os Mobralinos Mapabu. Mas, Zé Bonitinho tem encontrado muitas dificuldades em botar a tribo na avenida. Neste ano, por exemplo, não conseguiu recurso e a saída foi reciclar o do ano passado e pedir que seus integrantes bancassem suas fantasias.

Entre estas integrantes que bancaram as fantasias estão Bruna e Daiana, as duas meninas que carregam um estandarte da tribo. Elas dissseram que receberam apenas a saia de agave e algumas penas. Então, as duas se juntaram a Bruno, outro integrante da tribo e compraram o restante do material para a fantasia. Tudo muito simples, a base de penas, cordas de agave, palha, EVA, Cartolina, fitinhas e palhas de coqueiro. A outras tribos que desfilaram ontem foram Comache, Apaches e Gaviões Amarelos.


Estrutura de desfile carnavalesco narra o cotiano das tribos nas Américas

Ritual de ressuscitação do índio morto em guerra com branco
Mesmo se tratando de tribos e temas diferentes, as apresentações das tribos indígenas no carnaval de Natal seguem praticamente o mesmo modelo.  Isto se deve ao cotidiano de uma tribo indígena nômade ou semi-nônmade, que se resumia a busca de alimentos para sua sobrevivência: caça, pesca e coletas de raízes, e a preparação constante para a guerra.

A tribo desfile realizando passos de danças de guerras, apresentando armas, conduzindo alimentos e animais domésticos ou caçados. No ápice da encenação, acontece o inevitável confronto entre tribos diferentes, ou de tribo com o colonizador europeu.

Neste confronto, inevitavelmente um ou vários guerreiros e guerreiras da tribo são feridos. Aí, entra o pajé, que vai realizar o ritual da pajelança. Nele, o pajé mostra seu poder sagrado, graças as ações dos espíritos que culmina com a ressurreição do caçador ou guerreiro ferido. É uma aula viva de história do RN, onde se revive